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Como educar a crianca? 2 - J. C. Ryle

Eduque seu filho com toda ternura, afeição e paciência. Não estou querendo dizer que você deva mimá-lo, mas sim fazê-lo ver que o ama. Bondade, gentileza, domínio-próprio, brandura, paciência, simpatia, desejo de participar dos problemas infantis, prontidão em participar das alegrias infantis - são as cordas pelas quais uma criança pode ser conduzida com a maior facilidade; são as pegadas que você deve seguir se deseja encontrar o caminho ao coração dela.

Austeridade e severidade nos modos as desanimam e fazem com que se afastem. Isso fecha seus corações, e você vai ficar aborrecido tentando procurar a porta. Mas deixe que vejam que você tem um sentimento afetivo para com elas; que você deseja realmente fazê-las felizes e fazer-lhes o bem; que se você as pune é buscando o bem delas.

As crianças são criaturas frágeis e sensíveis, e, como tais, precisam ser tratadas com paciência e consideração. Devemos manuseá-las delicadamente, como plantas delicadas, pois um tratamento áspero lhes fará mais mal do que bem.

Não devemos esperar que aprendam tudo de uma só vez. Devemos nos lembrar o que são e ensiná-las aquilo que puderem suportar. O entendimento delas é como um vaso com gargalo estreito; devemos introduzir nelas o vinho do conhecimento gradualmente, caso contrário a maior parte se derramará e se perderá. Linha após linha e preceito após preceito, um pouco aqui, um pouco acolá; esta deve ser a nossa regra. É verdade que para se educar uma criança há necessidade de paciência, mas sem esta nada poderá ser feito.

Não existe nada que possa compensar a ausência de amor e ternura. Você pode colocar os deveres de seus filhos diante deles, pode dar-lhes ordens, ameaçá-los, puni-los, discutir com eles; mas se faltar afeição no seu tratamento, todo o seu trabalho terá sido em vão. Amor é o grande segredo de uma educação bem sucedida. Ira e aspereza podem assustar, mas não convencerão uma criança de que você esteja certo. E se ela o vê fora de si com freqüência, bem cedo deixará de respeitá-lo. O medo põe fim a um relacionamento franco; o medo leva a criança a fazer as coisas às escondidas; o medo lança a semente da hipocrisia e leva muitas a mentirem. Há uma mina de verdade nas palavras do apóstolo aos colossenses: "Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo" (Cl 3:21). - J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? 1 - J. C. Ryle

"Criai-os na doutrina e admoestação do Senhor" (Ef 6:4). Quão pouca importância é dada a este versículo! Vivemos numa época em que há um grande zelo pela educação; novas escolas estão surgindo de todos os lados; novos sistemas e novos livros para educar o jovem em todos os aspectos. Essas coisas podem muito bem despertar um exercício em nossos corações.

Trata-se de um assunto que deveria encontrar morada em cada consciência pois dificilmente haverá um lar onde ele não se aplique. Neste assunto, mais do que em qualquer outro, somos propensos a enxergar com mais clareza as faltas dos outros do que vermos as nossas próprias. Devemos suspeitar de nosso juízo próprio. Às vezes eu fico perplexo com a demora de certos pais, cristãos bem sensatos, em admitirem que seus filhos cometeram alguma falta ou merecem uma repreensão.

Vamos colocar agora diante de nós algumas sugestões; palavras ditas a seu tempo (Pv 15:23). Não as rejeite pelo fato de serem apresentadas de forma simples e até mesmo um pouco rude.

Primeiro, se pretendemos educar nossos filhos com sabedoria, devemos educá-los de acordo com a Palavra de Deus.

Lembre-se: crianças nascem com uma evidente inclinação para o mal. Portanto, se deixarmos que elas escolham por si próprias, com certeza farão a escolha errada.
A mãe não pode prever como será o seu tenro bebê quando crescer; alto ou baixo, forte ou fraco, sábio ou tolo; ele poderá se tornar uma coisa ou outra - é tudo uma incerteza. Mas há algo que uma mãe pode dizer com certeza: ele possuirá um coração corrupto e pecaminoso. Faz parte da nossa natureza agirmos errado. Deus diz que "a estultícia está ligada ao coração do menino" (Pv 22:15). "A criança entregue a si mesma vem a envergonhar a sua mãe" (Pv 29:15 - Almeida Versão Atualizada).

Portanto, se desejamos agir sabiamente para com nosso filho, não devemos deixá-lo sob a direção da sua própria vontade. Devemos pensar por ele e julgar por ele, assim como teríamos que fazer por alguém cego e débil, mas jamais devemos abandoná-lo às suas próprias tendências e caprichos. Não são os seus gostos e desejos que devem ser consultados. Ele ainda não sabe o que é bom para a sua mente e para a sua alma, tanto quanto ele não sabe o que é bom para o seu corpo. Não deixe que ele decida o que deve comer, o que deve beber e como deve se vestir.

Quantas cenas vergonhosas à mesa poderiam ser evitadas se os pais buscassem sabedoria divina acerca do que é melhor para se colocar no prato de uma criança.
Se não concordamos com este primeiro princípio divino de se educar a criança, não trará nenhum proveito continuar a leitura deste livreto. A vontade própria é geralmente a primeira coisa que surge na mente de uma criança, e nosso primeiro passo deve ser o de resistirmos a ela. O melhor cavalo do mundo teve que ser domado. J. C. Ryle (continua...)

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Como educar a crianca? Prefacio - H. E. Hayhoe

Ao publicarmos "Como Educar A Criança?", sentimos que é importante lembrar, antes de mais nada, que coisa alguma pode ser feita apropriadamente se os pais ou responsáveis não forem verdadeiros filhos de Deus. Se este livreto caiu nas mãos de uma mãe ou de um pai incrédulo, nosso desejo é que você aceite o Senhor Jesus como Salvador.

Talvez você tenha um lar em ordem, segundo os padrões humanos, mas lembre-se do que Deus diz em Hebreus 11:6: "Sem fé é impossível agradar a Deus". Ao se preocupar com essas crianças tão queridas que Deus colocou sob seus cuidados, tendo elas uma alma imortal e preciosa, convém que você se certifique de estar, a si próprio, em ordem com Deus. Foi para pecadores perdidos e sem qualquer esperança, como nós, que o Senhor Jesus morreu. Somente Ele pode limpar os seus pecados, e Ele o fará se você for a Ele agora mesmo, apresentando-Lhe tão somente a sua culpa, e confiando no valor do precioso sangue de Cristo para o limpar de toda mancha perante um Deus santo (1 Jo 1:7). E então, havendo se tornado um dos filhos de Deus, você estará capacitado - e certamente será este também o seu desejo - a criar seus filhos para o Senhor e para Sua glória.

Antes de serem verdadeiramente salvos, os pais não podem apresentar aos seus filhos a motivação adequada. O pensamento do homem natural nunca pode ir mais alto do que a sua própria pessoa, e mesmo na educação de seus filhos o que os pais inconversos colocarão diante deles será o seu próprio eu. Eles ensinarão seus filhos a falar a verdade porque eles (os pais) não gostam de mentiras. Eles irão ensiná-los a ter boas maneiras a fim de tornarem seus filhos agradáveis e bem aceitos na sociedade. Eles lhes dirão que seus amigos não gostarão deles se fizerem certas coisas e, portanto, não devem fazê-las. Em suma, toda a educação terá um motivo centralizado no próprio eu; e, nesse caso, não poderia ser de outro modo.

Porém até mesmo um cristão, se não estiver vigilante, estará inclinado a copiar essas idéias mundanas. Uma motivação como essa apela para coração natural, nosso e de nossos filhos, mas não se trata de uma motivação vinda de Deus. Criar nossos filhos "na doutrina e admoestação do Senhor" (Ef 6:4) é algo totalmente contrário a isso. Deveríamos ensiná-los a dizer a verdade porque são responsáveis diante do Senhor, e Ele odeia a mentira. Deveríamos ensiná-los a ser afáveis porque o Senhor diz para serem afáveis (1 Pd 3:8), e eles devem procurar agradá-Lo. Deveríamos ensiná-los a buscar sempre fazer o que é correto, não para serem bem vistos pela sociedade (pois haverá ocasiões em que serão desprezados justamente por isso), mas tão somente para agradar ao Senhor. Isto é exatamente o oposto do ponto de vista humano, mas é o único caminho certo, se o que buscamos é educar nossos filhos em conformidade com Deus.

Sentimos que é nosso dever frisar bem aqui que nossa confiança em educar nossos filhos, bem como em tudo aquilo acerca do que devemos ter confiança, deve estar no Senhor, e não em nós mesmos ou em nossos métodos. "Não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus" (2 Co 3:5). Não há um pai ou uma mãe que possa afirmar ter educado corretamente seus filhos em todos os detalhes. Deus nos faz cônscios de nossa fraqueza e de nosso fracasso, a fim de podermos nos voltar a Ele e reconhecer que devemos tudo à Sua graça. Que o Senhor possa dar graça a cada um de nós, e a todos os pais que lerem estas linhas, para que possamos buscar nEle a graça, sabedoria e força necessárias, que somente Ele pode suprir a cada dia, para sermos capazes de encaminhar nossa família a Ele nestes últimos dias. - H. E. Hayhoe
(continua...)

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Verdades resgatadas - H. Brinkmann

Dificilmente existiria uma maneira melhor de caracterizar um crente que ensina do que fazê-lo por meio daquilo que ele escreveu sobre assuntos relacionados às Escrituras. Os dois esboços a seguir acerca da verdade, compilados por Heinz Brinkmann em abril de 1998, ilustram isso.

Será que os reformadores entenderam os pontos a seguir e teriam estes pontos sido resgatados durante a Reforma?

Saiamos a Ele - C. H. Mackintosh

"Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo Seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos pois a Ele fora do arraial, levando o Seu vitupério" (Hebreus 13.12,13).

Há muito mais envolvido no tocante convite "saiamos a Ele", do que uma mera fuga dos absurdos da superstição ou dos esquemas de um lucrativo negócio religioso. Existem homens que conseguem explicar tudo, usando de poder e eloquência. São pessoas que se encontram muito longe de qualquer pensamento de atender ao chamado do apóstolo. Quando os homens estabelecem um "arraial", saem fazendo seus comícios que giram em torno de um padrão que contenha algum dogma importante da verdade, um credo ortodoxo, uma linha doutrinária mais clara, ou algum ritual esplêndido. É preciso ter muita inteligência espiritual para se discernir a verdadeira força que há nas palavras: "Saiamos", e muita energia espiritual e poder de decisão para agir.

Deve haver discernimento e ação, pois é perfeitamente evidente que a atmosfera de um arraial é perniciosa para a comunhão pessoal com um Cristo rejeitado. Nenhuma vantagem religiosa pode jamais substituir a perda dessa comunhão. Existe em nosso coração a tendência de nos deixarmos levar por um formalismo frio e estereotipado. Foi sempre assim na igreja professa. Talvez o formalismo tenha tido origem em um poder real; podem ter sido resultado de verdadeiras intervenções do Espírito de Deus. A tentação está em se manter um estereótipo quando o espírito e poder já não existem. Em princípio, isto é estabelecer um arraial.

O sistema judaico podia se gabar de ter tido origem divina. Um judeu podia triunfantemente apontar para o templo com todo o seu esplêndido sistema de adoração, seu sacerdócio, seus sacrifícios, seu mobiliário, e demonstrar que tudo aquilo havia sido dado diretamente pelo Deus de Israel. Ele podia citar o capítulo e versículo de tudo o que estava conectado com aquele sistema. Onde está o sistema, seja ele antigo, medieval ou moderno, que possa ter a mesma pretensão com igual peso de autoridade? E ainda assim, a ordem era: "Saiamos".

Este assunto tão profundamente solene diz respeito a todos nós. Estamos sempre prontos a abandonar a comunhão com um Cristo vivo e mergulhar em uma rotina morta. Daí o poder prático das palavras: "Saiamos pois a Ele". Não se trata de sair de um sistema para entrar em outro – de um conjunto de opiniões para outro – de um grupo de pessoas para outro. Não, mas sair de tudo aquilo que possa ser caracterizado como um arraial; sair a Ele que sofreu fora da porta. O Senhor Jesus está tão completamente fora da porta agora quanto estava quando sofreu lá há quase vinte séculos. O que foi que O levou para fora? O mundo religioso daquela época. O mundo religioso daquela época é, em espírito e princípios, o mesmo mundo religioso de hoje. O mundo continua sendo mundo. Cristo e mundo não têm nada em comum.

Em muitos de seus aspectos, o mundo cobriu-se com um manto de cristianismo, mas apenas o suficiente para se assegurar que seu ódio a Cristo possa, sob a superfície, se aprimorar para formas cada vez mais destrutivas. Não nos enganemos. Se andarmos com um Cristo rejeitado, acabaremos sendo também pessoas rejeitadas. Se nosso Senhor "padeceu fora da porta", não podemos esperar reinar do lado de dentro da porta. Se andarmos em Suas pegadas, para onde elas nos levarão? Certamente não será aos lugares elevados deste mundo ímpio e sem Cristo.

Seu caminho, que do mundo não granjeou sorrisos,
O levou à cruz, onde aguardavam terríveis castigos.

Ele é um Cristo desprezado - um Cristo rejeitado – um Cristo fora do arraial. Oh, querido cristão, saiamos a Ele levando Sua vergonha. Não busquemos o favor do mundo, já que ele crucificou e continua odiando nosso Amado, a Quem devemos tudo tanto agora como sempre. Ele é Aquele que nos ama com um amor que as muitas águas não poderiam apagar. Vivamos para Ele que morreu por nós. Enquanto nossas consciências repousam no Seu sangue, deixemos que as afeições de nosso coração se entrelacem com Sua Pessoa, de modo que nossa separação deste "presente século mau" não seja apenas uma fria questão de princípios, mas uma apaixonada separação pelo fato de Aquele, que é o Objeto de nossas afeições, não estar ali.

Que o Senhor possa nos livrar desse costume tão comum em nossos dias que é o de agirmos por interesse, atitude essa à qual não falta religiosidade, mas que é inimiga da cruz de Cristo. O que é necessário para permanecermos firmes contra essa terrível forma de mal não são opiniões peculiares, princípios especiais ou uma fria exatidão intelectual. Precisamos de uma profunda devoção à Pessoa do Filho de Deus; uma consagração de coração completa, corpo, alma e espírito, ao Seu serviço; um desejo sincero por Sua gloriosa vinda. Possamos, portanto, eu e você, nos unir em um só clamor que saia do fundo de nosso coração, a dizer: "Não tornarás a vivificar-nos, para que o Teu povo se alegre em Ti?" (Salmo 85.6).

C. H. Mackintosh, Christian Treasury, Ago. 94.

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Por causa dos anjos - Paul Wilson

"Mas quero que saibais que Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo. Todo o homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça. Mas toda a mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta, desonra a sua própria cabeça, porque é como se estivesse rapada. Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu.

"O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus, mas a mulher é a glória do varão. Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher do varão. Porque também o varão não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do varão. Portanto, a mulher deve ter sobre a cabeça sinal de poderio, por causa dos anjos. Todavia, nem o varão é sem a mulher, nem a mulher sem o varão, no Senhor. Porque, como a mulher provém do varão, assim também o varão provém da mulher, mas tudo vem de Deus.

"Julgai entre vós mesmos: é decente que a mulher ore a Deus descoberta? Ou não vos ensina a mesma natureza que é desonra para o varão ter cabelo crescido? Mas ter a mulher cabelo crescido lhe é honroso, porque o cabelo lhe foi dado em lugar de véu. Mas, se alguém quiser ser contencioso, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus." 1 Coríntios 11:3-16

Este trecho da Palavra de Deus, que é de grande importância prática, é freqüentemente mal compreendido. Se Deus fala de qualquer assunto, deve ser porque precisamos conhecê-lo. E havendo Deus falado, devemos estar prontos para considerar o que Ele tem dito. Além do mais, deve ser admitido que Deus é capaz de fazer com que seja claro e simples o que Ele quer dizer, a fim de não permanecer nenhuma dúvida. Se, porém, não entendemos, é bem provável que o problema seja conosco. Ou não temos lido cuidadosamente, ou estamos com alguma idéia pré-concebida, ou, o que é pior, não vemos porque somos obstinados e não queremos enxergar daquele modo.

UMA QUESTÃO DE ORDEM

No versículo 3 o Espírito de Deus diz, por intermédio do apóstolo, que "Cristo é a cabeça de todo o varão, e o varão a cabeça da mulher; e Deus a cabeça de Cristo". É esta, portanto, a ordem de poderio estabelecida por Deus. Deus tem um lugar para cada um, homem ou mulher, e certamente não é doloroso permanecer nesse lugar. O homem tem o seu lugar como representante de Deus na terra - "a imagem e glória de Deus" (v. 7). A mulher também tem um lugar distinto - não o lugar de proeminência, mas o lugar de sujeição em conformidade com a ordem estabelecida por Deus. Ela pode, no entanto, glorificar a Deus no lugar que lhe é próprio. O homem pode, e infelizmente ele o faz, falhar tristemente em ocupar o seu lugar, mas ainda assim é esse o seu lugar. Ele deveria procurar agir em seu lugar como estando diante de Deus, e ela deveria estar feliz por ocupar o seu próprio lugar. Cada um deveria julgar um privilégio ocupar o lugar designado por Deus.

Deus estabeleceu uma certa ordem por toda a Sua Criação. Os homens e mulheres cristãos não devem negligenciar essa ordem, porém devem lembrar-se de que são um espetáculo divinamente designado - sim, um espetáculo para os próprios anjos (v. 10). Os anjos estão conhecendo a sabedoria de Deus; estão sendo espectadores dos caminhos de Deus. O fato de eles estarem observando os caminhos de Deus aqui é também mencionado em 1 Coríntios 4:9 e Efésios 3:10.

INSTRUÇÕES PARA O HOMEM E PARA A MULHER

Há, então, uma regra muito simples a seguir, a qual demonstrará o lugar que o homem possui. Ele NÃO deve orar ou profetizar (comunicar o pensamento de Deus a outros) tendo uma cobertura sobre a sua cabeça. Ter sua cabeça coberta iria estragar a demonstração, diante de outros, do lugar designado por Deus para o homem. Seria um sinal do homem estar abandonando o lugar de autoridade, e resultaria na falta de uma cabeça visível.

A regra para a mulher é igualmente simples: ela NÃO deve orar ou profetizar sem ter uma cobertura sobre sua cabeça. Se ela ora sem uma cobertura sobre a cabeça, ela desonra sua cabeça. Seria uma desordem que estaria sendo testemunhada por anjos. A cobertura sobre sua cabeça é o sinal exterior de sua sujeição. O profetizar exercido por uma irmã é, obviamente, restrito por outras passagens. Ela não deve fazê-lo na assembléia (1 Co 14:34), nem tampouco ela deve ensinar ou usurpar a autoridade sobre o homem (1 Tm 2:12).

O fato de esta simples ordem acerca de cobrir a cabeça ser geralmente menosprezada na cristandade não é desculpa para nenhuma mulher deixar de obedecê-la. Alguns colocam esta passagem de lado por atribuir sua autoria a Paulo; porém foi o Espírito de Deus o divino Autor, e Paulo apenas a escreveu. Ele disse, acerca das coisas que escreveu, que "são mandamentos do Senhor" (1 Co 14:37). Se isto é verdade, então trata-se de algo muito sério resistir a esses mandamentos.

Escute a linguagem forte que é usada: "Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu" (vers. 6). Qual é a mulher que gostaria de ter sua cabeça rapada? Ela seria publicamente envergonhada e teria que se esconder. Bem, se é assim, diz a Palavra de Deus, que ela traga sobre sua cabeça uma cobertura quando estiver orando ou profetizando.

Não se trata de uma questão de superioridade e inferioridade, mas de posições relativas na Criação. Deus na Sua sabedoria determinou um lugar para cada um conforme pareceu bem a Ele, e bem-aventurados são aqueles que reconhecem tal e procuram, pela sabedoria e direção de Sua Palavra, se comportar como convém àquele lugar.

UM EXEMPLO DADO PELA PRÓPRIA NATUREZA

O apóstolo, pelo Espírito, volta até a Criação para declarar a ordem estabelecida de Deus desde o princípio. A ordem e o propósito da Criação são colocados diante de nós como a base para a sujeição da mulher ao homem (vers. 8 e 9). Então, nos versículos 14 e 15, ele chama a atenção para aquilo que aprendemos da observação da natureza. Isso demonstra como é apropriado que uma mulher tenha sua cabeça coberta quando ora. A natureza ensina que o cabelo longo é a glória para a mulher (quão triste é quando mulheres cristãs cortam seus cabelos à semelhança do mundo), e significa uma posição mais recatada. Ela não era para se mostrar com a ousadia dos homens. Seu cabelo lhe foi dado "em lugar de véu" (vers. 15). Ele marcou um lugar retirado; um lugar de sujeição na Criação de Deus. Isso foi feito por Deus e tem sua bem-aventurança onde não é colocado de lado pela vontade do homem. Devemos nos lembrar de que na "nova Criação" não há homem nem mulher, mas são todos um em Cristo Jesus. Porém, não é este o ponto tratado aqui, e sim os respectivos lugares de cada um neste mundo diante dos olhos de outros - dos próprios anjos.

Alguns, ao resistirem às Escrituras, têm distorcido isso ao tentar provar que o cabelo da mulher é a cobertura requerida. A tentativa de assim empregar mal a instrução divina é tão simplória que não mereceria comentário. Mas para alguns que talvez tenham sido enganados por essa estranha distorção, é bom chamarmos a atenção para alguns pontos. Se a cobertura de uma mulher pudesse ser entendida como sendo o seu cabelo, então o cabelo do homem seria a cobertura deste também. Bem, este não poderia ser, evidentemente, o significado no caso do homem. Qual é o homem que iria rapar a cabeça para ficar livre de sua cobertura? A própria natureza indica que ele deve ter cabelos curtos. E o homem, que deve ter cabelos curtos, "não deve cobrir a cabeça" quando fala a Deus, ou quando fala por Deus. "O varão pois não deve cobrir a cabeça, porque é a imagem e glória de Deus" (v. 7.)

Como poderia a expressão "não deve cobrir" significar que ele não deve deixar o cabelo crescer como o de uma mulher quando estiver orando? As palavras deste versículo expressam ação ou ausência de ação no momento da oração. Trata-se de algo que ele não deve fazer quando estiver orando. Ele pode cobrir a sua cabeça em outras ocasiões, mas estas instruções referem-se ao momento em que ele "ora ou profetiza". Como poderia alguém pensar diferente? Portanto, vemos que no caso do homem o seu cabelo não é a cobertura a que o texto se refere; ele não deve colocar um chapéu ou outra cobertura sobre sua cabeça nesse momento específico.

Repare outra vez no sexto versículo: fazer do cabelo da mulher a sua cobertura, ao invés de um véu, chapéu ou outro objeto, seria algo ridículo. Tal raciocínio faria aquele versículo significar que se uma mulher não tivesse nenhum cabelo sobre sua cabeça, então seu cabelo deveria ser cortado - uma impossibilidade óbvia! A tolice de se buscar provar que o cabelo da mulher é sua cobertura deveria ficar evidente. No versículo 15 lemos "em lugar de véu". Seu cabelo longo simplesmente marcou, na natureza, um lugar mais recatado, um lugar de sujeição.

OUTRAS DISTORÇÕES

Há alguns, na cristandade, que escrevem de forma a fazer um esforço para torcer as instruções simples, dizendo que o "cabelo crescido" é a cobertura, e que isto subentende uma proibição contra cortar o cabelo. Com certeza é triste quando uma mulher cristã corta sua glória, conformando-se, assim, com este mundo. Mas como poderia ela manter seu cabelo curto a maior parte do tempo, para então alongá-lo quando estivesse orando?

Trata-se de uma questão de ela demonstrar e reconhecer o lugar que lhe foi divinamente designado por Deus quando fala para Deus ou por Deus. Isto ela faz colocando uma cobertura sobre sua cabeça nesse momento. Obviamente se ela tem cabelos longos o tempo todo, ainda assim há algo para fazer quando estiver orando. Assim como vimos que no caso do homem Deus falou de uma ação a não ser executada no momento da oração, a mulher, que já tem o seu lugar recatado por natureza, e já tem o seu cabelo longo que marca a sua posição, deve então colocar uma cobertura sobre sua cabeça para demonstrar a sua sujeição nesse lugar. Será que isto não é simples o suficiente? O fato de estar descoberta seria, para a mulher, um sinal de que estaria tomando um lugar de autoridade, abandonando a posição que lhe é própria. Seria confusão na ordem estabelecida por Deus, e isso seria testemunhado por anjos. Deus deu explicações detalhadas para mostrar os motivos de tal regra. Por que tanto esforço para mudar isso? Deve-se temer que o simples ato de se recusar a exibir essa marca exterior de subordinação seja meramente a indicação de que o lugar dado pelo próprio Deus está sendo recusado.

Há outros que procuram colocar de lado a aplicação genérica desta instrução divina, dizendo que isso somente se aplica para o momento em que todos encontram-se juntos em assembléia. Isso é um grande erro, e é facilmente notado pelo fato de que a uma mulher não é permitido falar na assembléia (1 Co 14:34). Como poderia, então, ser dado a ela instruções de como agir quando estivesse profetizando na assembléia? Um versículo iria contradizer e anular o outro, se o significado fosse que sua cabeça deveria estar coberta somente quando estivesse em uma reunião. A instrução desta passagem é para os homens e para as mulheres, em todo o tempo, e em todo lugar. Seria igualmente errado para um homem orar a Deus, usando chapéu, tanto na privacidade de seu quarto como em público. E da mesma forma seria fora de ordem para uma mulher orar sem ter sua cabeça coberta mesmo quando estivesse sozinha em casa.

O versículo 16 dá força às instruções divinas. O que era válido para a assembléia em Corinto valia também para todas as assembléias; não era para ser deixado aberto às opiniões individuais, nem tampouco às decisões locais. E não havia espaço para ninguém contender - simplesmente não havia permissão para nenhum outro costume ou prática. O assunto estava encerrado, e não aberto à discussão.

Desde que Adão e Eva, no jardim do Éden, desejaram ser "como Deus" e caíram, a exaltação própria tem sido uma das piores ervas daninhas no coração humano. O primeiro casal não estava satisfeito com a parte que recebeu e, buscando exaltar-se a si mesmo, caiu em miséria e ruína. Bendito contraste com o segundo homem - o Senhor vindo do céu! Ele humilhou-Se a Si mesmo até o mais profundo, e agora Deus O exaltou sobremaneira (veja Fp 2). Bendito Salvador; possamos nós aprender mais de Ti!

Uma palavra mais a respeito da cobertura da cabeça. Que o Senhor possa exercitar as mulheres cristãs a selecionarem objetos que sejam realmente uma cobertura, quando for este o propósito de usá-los. Quão necessário é que ponham-se diante do Senhor ao adquirirem uma cobertura, que seja do agrado dEle.

Paul Wilson



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Preparando-me para mudar

O proprietário da casa em que morei como inquilino por muitos anos avisou-me que não irá mais providenciar reparos nela. Ele me disse que devo preparar-me para mudar.

A princípio essa não foi uma notícia das melhores. A vizinhança aqui é boa em muitos aspectos e, se não fosse pelo evidente apodrecimento da estrutura da casa, eu até que a consideraria satisfatória. Porém até mesmo um vento fraco a faz tremer, e todos os reforços não têm sido suficientes para fazê-la verdadeiramente segura. Por isso estou me preparando para mudar.

É estranho a rapidez com que passamos a nos interessar pelo nosso futuro lar. Tenho consultado mapas do lugar para onde vou e tenho lido a respeito de seus habitantes. Um deles foi até lá e voltou, e por meio dele aprendi que o lugar é de uma beleza sem igual - a própria linguagem é incapaz de exprimir as coisas que escutou enquanto estava lá. Ele contou que, a fim de fazer um investimento ali, sofreu a perda de tudo o que possuía aqui, e o que para ele é motivo de regozijo, é visto pelos outros como "sacrifício".

Outro, cujo amor por mim foi demonstrado pela maior prova imaginável, encontra-se lá agora. Ele tem me enviado pencas das mais deliciosas frutas. Depois de experimentá-las, todo alimento daqui, em comparação, não tem sabor nenhum.

Por duas ou três vezes eu já fui até à beira do rio que fica na fronteira, e cheguei até mesmo a desejar estar junto daqueles que se encontram do outro lado. Não seria maravilhoso viver em um lugar onde "conhecerei como também sou conhecido", não tendo nada para esconder, nenhuma dúvida, nenhum engano, somente Amor, Comunhão e Serviço, "delícias perpetuamente"?

Muitos dos meus amigos já se mudaram para lá. Pude ver o sorriso em seus semblantes enquanto os perdia de vista. Aqui, as verdadeiras alegrias da vida - o amor e a comunhão - nunca são plenamente desfrutadas em razão das limitações de tempo, dias, estações do ano, compromissos e celebrações, mas "ali não haverá noite" e terei a eternidade à disposição.

Há muitos que sugerem que eu deveria fazer mais investimentos materiais aqui, mas na verdade muitos dos que já fiz têm trazido mais preocupações do que satisfação. Por outro lado, aqueles que já fiz lá têm me dado grande gozo e paz. Como nosso coração está onde estiver o nosso tesouro, estou decidido a não fazer mais daquilo que se costuma chamar aqui de "bom investimento", pois digo com toda a sinceridade: Creio que devo me aprontar para a mudança. - Christian Treasury - Dez.87

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Babilonia - J. G. Bellett

A Babilônia mística de Apocalipse pode ser apresentada ostentando um Cristo crucificado e, ainda assim, ser Babilônia. Pois o que vem a ser ela, do modo como é esboçada pelo Espírito? Trata-se de algo mundano em seu caráter, na mesma medida em que é abominável e idólatra em doutrina e prática. Apocalipse 18 nos dá uma visão de Babilônia em seu mundanismo, porém no capítulo 17 ela é vista em sua idolatria.

A Babilônia da antiguidade, na terra da Caldeia, era repleta de ídolos e culpada do sangue ou do padecimento dos justos. Porém ela tinha também esta marca: demonstrava grandeza neste mundo, numa época de depressão para Jerusalém. O mesmo sucede com a Babilônia mística. Ela tem em seu seio suas abominações, e o sangue dos mártires de Jesus a mancha. Mas muito mais que isto, ela é revelada como grande, esplêndida e alegre neste mundo em uma época de rejeição a Cristo. Ela é importante neste mundo em um período em que o juízo de Deus está sendo preparado para cair sobre ele. Ela consegue glorificar-se a si própria e viver em luxúria em um lugar corrompido. Isto não quer dizer que ela ignore abertamente a cruz de Cristo. Ela não é pagã. Ela pode anunciar o Cristo crucificado, mas se recusa a conhecer o Cristo rejeitado. Ela não O acompanha em Suas provações. Os reis e mercadores da terra são seus amigos, e os habitantes da terra lhe estão sujeitos.

Acaso não é a rejeição de Cristo aquilo de que ela escarnece? Certamente que sim. O pensamento do Espírito acerca dela é: ela é exaltada no mundo enquanto o testemunho de Deus é rejeitado, e ela se coloca em posição de desafio, pois está ciente do que está fazendo.

A Babilônia da antiguidade conhecia bem a desolação de Jerusalém. A cristandade conhece exteriormente a cruz de Jesus e a anuncia. A Babilônia da antiguidade era muito insolente em seu desafio à dor de Sião. Ela fez com que os cativos de Sião contribuíssem para sua grandeza e deleites. Nabucodonosor procedeu assim com os jovens cativos, e Belsazar fez o mesmo com os vasos capturados.

Assim era Babilônia, e a cristandade encontra-se no mesmo espírito. A cristandade é aquilo que glorifica a si própria e vive confortavelmente neste mundo, negociando em tudo aquilo que é desejável, valioso e estimado neste mundo, fazendo-o bem diante da dor e rejeição daquilo que é de Deus. A cristandade se esquece, na prática, que Cristo foi rejeitado neste mundo.

O poder Medo-Persa é outra criatura. Ele remove a Babilônia mas exalta a si próprio (Daniel 6). É esta a ação da "besta" e de seus dez reis. A mulher, a Babilônia mística, é removida pelos dez reis, mas estes entregam, então, o seu poder à besta que se exalta (como fez Dario, o Medo) acima de tudo o que é chamado Deus ou que é adorado. É esse o desfecho, o ponto culminante na cena da apostasia mundial, mas ainda não chegamos lá. Nosso conflito é com a Babilônia e não com os Medos; é com aquilo que vive em luxúria e honra durante a era de ruína de Jerusalém, isto é, da rejeição de Cristo. - John Gifford Bellet (1795–1864)

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Os dois inquilinos - A. T. Schofield

Suponhamos que um senhorio tenha alugado sua casa a um mau inquilino, que bebe, joga, pragueja e seja uma desgraça para a vizinhança, além de nunca pagar o aluguel. Por fim, o senhorio perdoa todos os aluguéis atrasados e coloca na casa um novo inquilino - tranquilo, respeitável, trabalhador, e com autoridade suficiente para manter o mau inquilino quieto em um dos aposentos da casa. Ele nunca deverá permitir que o mau inquilino tome o domínio da casa, e jamais deixará que ele abra a porta.

Esta é uma figura um pouco grotesca de um cristão. Seu corpo é a casa; sua velha natureza é o mau inquilino; sua nova natureza é o bom inquilino, e Deus é o proprietário do imóvel, pois nosso corpo não é nosso, mas do Senhor. Não moramos em casa própria, por assim dizer, mas somos meros inquilinos - uma verdade solene e frequentemente esquecida.

Surge, então, uma dificuldade. O mau inquilino é um velho muito forte; o novo inquilino é um jovem ainda fraco. Embora ele tenha completa autoridade, ele não tem poder para cumprir o desejo do proprietário da casa. Ele clama por auxílio e o proprietário envia um forte amigo, de sua própria casa, para ajudar o novo inquilino a subjugar o velho inquilino e mantê-lo sob custódia.

O amigo forte é o Espírito Santo, "para que, segundo a riqueza da Sua glória, vos conceda que sejais fortalecidos com poder, mediante o Seu Espírito no homem interior" (Ef 3.16 Almeida Versão Atualizada). É por isso que com frequência lemos acerca dEle subjugando o velho inquilino ao invés do novo inquilino fazê-lo. Devemos, evidentemente, entender que esse amigo nunca interfere, a menos que o novo inquilino o deseje (veja Gálatas 5.17,25).

Suponhamos que eu convide alguns amigos para virem a essa casa e passarem uma noite agradável com meu velho amigo que mora ali. Eu ouvi dizer que aconteceram algumas mudanças naquela casa, mas não sei exatamente o que aconteceu. A porta é aberta pelo velho inquilino, mas ele está com uma aparência intimidada. Quando eu lhe digo a respeito da razão de minha vinda, ele diz, "Bem, evidentemente eu gostaria de convidá-lo a entrar, mas não posso fazê-lo pois o novo inquilino não gostaria. Você compreende, agora é ele o responsável por esta casa perante o proprietário, e ele é muito exigente quanto a mantê-la em ordem e em silêncio. Eu só vim atender porque ele está dormindo, mas se houver qualquer barulho na casa ele logo me trancará novamente".

Fica evidente, neste caso, que fui atendido pela mesma pessoa que conhecia há tempos, com a única diferença que ele teve seus aluguéis perdoados e que há agora um novo inquilino na casa, do qual ele tem medo.

Suponhamos, agora, que eu volte depois de alguns meses para tentar induzir meu velho amigo a sair e passar uma noite divertida junto comigo. Está bem escuro quando eu bato à porta, portanto não posso ver quem vem abri-la, mas supondo que seja meu velho amigo, eu digo:

- Venha ao teatro comigo.

- Eu nunca vou lá - é a resposta que ouço.

- Eu sei - digo eu - é porque você agora tem medo.

- Não, eu não estou com medo; acontece que não ligo para isso.

- Deixa disso - digo eu - não aceito tal desculpa; eu sei que você gosta, e muito, mas você está com medo do novo inquilino.

- Eu sou o novo inquilino - é a resposta que ouço.

Neste caso, não estou diante do velho homem com seu aluguel perdoado, mas de um homem completamente novo, respondendo às minhas perguntas e declarando que não liga para os prazeres mundanos. Trata-se, aqui, de algo novo, mas é esta também a verdadeira posição do cristão: ele deve sempre deixar que sua nova natureza, e nunca a velha, atenda à porta.

Vamos supor agora que eu continue a bater à porta por alguns meses, e receba invariavelmente a mesma resposta. Não seria surpresa eu pensar que o velho inquilino tivesse morrido, pois ele nunca atende à porta. Assim é ele, ao menos naquilo que diz respeito ao aspecto visível da sua existência. O novo inquilino, no entanto, poderia me contar das muitas tentativas que o velho homem faz para escapar de seu confinamento, quando nada exceto a força do amigo pode evitar que ele se mostre tão mau como sempre foi. [ A. T. Schofield ]

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A responsabilidade do cristao perante o mundo - Tim Cedarland

Disse Jesus: "Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura." Marcos 16.15. Que maravilhoso é, para os crentes, saberem que seus pecados estão perdoados e que possuem um lar nos céus, que lhes foi preparado por seu Salvador, o Senhor Jesus Cristo! E que esperança maravilhosa temos por saber que a qualquer momento poderemos escutar o chamado e sermos levados deste mundo para encontrar o Senhor nos ares -- para estarmos para sempre com Ele, que nos amou e Se entregou a Si mesmo por nós! (1 Ts 4.16,17).

Mas por que Deus preferiu nos deixar aqui ao invés de nos levar para o céu no momento em que fomos salvos? Acaso não somos deixados aqui para representar Cristo neste mundo onde Ele foi rejeitado e de onde foi lançado fora? Somos deixados para adorá-Lo e glorificá-Lo. Deixados para brilhar como luzeiros, e sermos Seus embaixadores enquanto aguardamos por Seu retorno muito em breve. Acaso não nos deu Ele uma mensagem para ser anunciada às almas preciosas que Ele tanto ama? E será que não somos responsáveis em sair ao encontro delas com esta mensagem de salvação que tanto necessitam?

Muitos estão se dirigindo rumo a uma eternidade de perdição no inferno! Devemos, como crentes, ficar indiferentes às necessidades daqueles que nos cercam? Se uma criança estivesse para atravessar uma rua movimentada, com toda certeza nós tentaríamos salvá-la! Se a casa de nosso vizinho estivesse em chamas e ele dormisse em seu interior, não procuraríamos avisá-lo do perigo? E, no entanto, muitos de nossos vizinhos e amigos correm um perigo ainda muito maior do que se estivessem no interior de uma casa em chamas: estão dormindo em seus pecados, e correm o perigo de perder suas almas eternamente! É, portanto, nossa responsabilidade avisá-los de sua condição! O apóstolo Paulo até mesmo dizia: "Ai de mim, se não anunciar o evangelho!" (1 Co 9.16). E também: "Sabendo o temor que se deve ao Senhor, persuadimos os homens" (2 Co 5.11).

Não é apenas uma responsabilidade do cristão divulgar o evangelho, mas é um privilégio que deveria ser motivado pelo amor para com Cristo. "O amor de Cristo nos constrange" (2 Co 5.14). Se realmente temos um amor genuíno por Cristo e se nossos corações estão verdadeiramente motivados por Ele, não seremos capazes de ficar sem sair em busca dos outros, seja de uma maneira ou de outra. Pedro e João podiam dizer: "Não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido" (At 4.20). Se já estivemos com o Senhor e desfrutamos da Sua presença, nossos corações se transbordarão para com aqueles que nos cercam. Jesus disse aos Seus discípulos: "E vós também testificareis, pois estivestes comigo..." (Jo 15.27).

É maravilhoso usufruirmos, para nós mesmos, das benditas verdades das Escrituras, mas compartilhemos também com os outros, em amor, aquilo que temos, para não estagnarmos em nossa vida cristã. O Mar Morto é morto porque não tem saída. Ele sempre recebe mas nunca dá. Ele não transborda para formar nem mesmo um pequeno córrego que traga algum proveito ao deserto ao seu redor. De graça recebemos. Vamos dar de graça também! Que o Senhor nos auxilie a sermos sensibilizados pela necessidade daqueles que se encontram perdidos e perecendo ao nosso redor. Que possamos despertar e entender a verdade expressa em 2 Reis 7.9: "Este dia é dia de boas novas!"

O tempo é curto. A vinda do Senhor está próxima! Breve o dia da graça terminará e não haverá mais oportunidades de falarmos de Cristo ou sentirmos compaixão pelas almas perdidas que estão ao nosso redor. Que o Senhor nos ajude a sermos fiéis na responsabilidade que Ele entregou a cada um de nós, a fim de podermos desfrutar do gozo de ouvir de Seus lábios estas palavras: "Bem está, servo bom e fiel... entra no gozo do teu Senhor" (Mt 25.21). [ Tim Cedarland ]

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