Como podemos ser libertados da atividade daquela natureza caída que permanece em nós? Isto nos é explicado em Romanos 8.2: "Porque a lei do espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte". Se eu soltasse um livro que estivesse segurando, a força da gravidade o faria cair, pois ele estaria sujeito à lei da gravitação. Como poderia eu livrá-lo desta lei sem mudar a lei, ou o peso do livro? Se eu amarrasse ao livro um balão de gás hélio, ele subiria. Não teria mudado a lei da gravitação e nem o peso do livro, mas eu o teria colocado sob uma nova lei. O gás hélio é mais leve do que o ar. Desta forma o livro estaria livre da lei da gravitação.
Apliquemos isto à nossa vida. Quando alguns pensamentos ruins se introduzem em sua mente, como você fará para livrar-se deles? Você não pode mudar sua natureza caída. Ela sempre age da mesma maneira. Não há nada de bom nela. Mas se você deixar que o Espírito de Deus, por meio do novo homem, o mantenha ocupado com Cristo, você estará livre. O Espírito de Deus trabalhando no novo homem irá encher o seu coração com Cristo. Ele o levará a ver o que Cristo fez por você, o que Ele está fazendo agora mesmo como seu Advogado e Sumo Sacerdote, e o que fará por você quando o tornar eternamente feliz na casa do Pai. Portanto, quando os maus pensamentos vêm à sua mente, lembre-se de que você não pode mudar a natureza caída, mas pode deixar que o Espírito de Deus trabalhe no novo homem. Pense no que você possui em Cristo. Se regozije no fato que Deus o vê em Cristo. Esta é a única maneira de se livrar da atividade do velho homem dentro de você. De nada adianta tentar expulsar aqueles maus pensamentos pois eles logo estarão de volta. É como lutar com o limpador de chaminés. Deixe-os de lado dando graças pelo livramento de Deus e regozije-se no Senhor.
Quão maravilhoso é saber que Deus não apenas perdoou nossos pecados mas condenou aquela natureza caída. Ela foi crucificada com Seu Filho. Ele nos enxerga em uma nova posição diante de Si; uma posição de "nenhuma condenação" (Rm 8.1), mortos e ressuscitados com Cristo. Regozijemo-nos! Demos graças! Ele nos deu uma nova vida, a própria vida de Cristo que será nossa para sempre no céu. Quando você nasceu de novo você recebeu esta nova vida. Você nasceu do alto e o novo homem é criado em justiça e verdadeira santidade. Deus deseja que você, como cristão, viva uma vida de santa liberdade e gozo na posição na qual Ele o colocou.
Não estamos nos referindo aqui ao que o crente deve fazer caso deixe a natureza pecaminosa agir, mas apenas àquilo que Deus fez com respeito à velha natureza. Mas talvez seja de auxílio acrescentar alguns comentários a respeito disso. Se permitirmos o pecado em nossa vida, Deus providenciou um Advogado, Jesus Cristo o Justo (1 Jo 2.1) e devemos confessar nosso pecado, reconhecendo que deixamos o velho homem agir. Isto não é com o objetivo de restaurarmos nossa posição diante de Deus, pois ela é sempre em Cristo, mas para sermos restaurados à comunhão com Deus em nossas almas. Que completa provisão para todas nossas necessidades nós podemos encontrar em Cristo!
Quão importante é que leiamos a Palavra de Deus e que oremos, pois se negligenciamos isto o inimigo conhece nossos pontos fracos e virá trabalhar naquele velho homem, levando-nos a pecar. Isto irá roubar nosso gozo no Senhor, e se não confessarmos os pequenos pecados, eles em breve se tornarão grandes pecados pelos quais poderemos vir a ser colocados sob a mão de Deus em disciplina, ou talvez possam até mesmo nos colocar sob a disciplina da assembléia ou igreja de Deus. Não nos é dito que devamos confessar maus pensamentos, pois o simples fato de os deixarmos de lado já é a forma de julgá-los, mas se permitimos a sua ação em nossa vida então devemos confessar nossos pecados para sermos restaurados (1 Jo 1.9).
Um verdadeiro crente nunca pode se perder, mas pode, como Davi na antigüidade, perder o gozo da salvação de Deus e desonrar o Senhor. A oração do Salmista é boa para todos nós. "Quem pode entender os próprios erros? Expurga-me tu dos que me são ocultos. Também da soberba guarda o teu servo, para que se não assenhoreie de mim: então serei sincero, e ficarei limpo de grande transgressão. Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, Senhor. Rocha minha e Libertador meu!" Sl 19.12-14.
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As 2 naturezas no crente - Parte II - Gordon H. Hayhoe
Nicodemos veio ao Senhor com a intenção de aprender alguma coisa. Sem dúvida alguma o Senhor Jesus era e é um mestre maravilhoso, mas o que o pecador precisa, antes de mais nada, é receber uma nova vida, e por isso o Senhor respondeu: "aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus". O homem havia sido ensinado sob a lei, pois "a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom" (Rm 7.12) e todos aqueles preceitos que foram dados ao homem no Antigo Testamento vieram de Deus. Mas não davam uma nova vida pois as Escrituras afirmam que "se dada fosse uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei" (Gl 3.21). Em outra passagem (Dt 5.29) lemos: "Quem dera que eles tivessem tal coração que me temessem, e guardassem todos os meus mandamentos todos os dias". Isto significa que a lei exige do homem algo que ele não deseja e nem tem poder para dar. Ele precisa de uma nova vida.
Por que então Deus deu a lei? Bem, quando você conversa com várias pessoas acaba percebendo que elas não crêem naquilo que Deus diz a respeito do homem e por isso Ele teve que nos demonstrar isso. Deus diz que "enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e perverso: quem o conhecerá?" (Jr 17.9). O apóstolo Paulo afirmou: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum" (Rm 7.18). Em nosso estado natural não existe nada para Deus. Nossos corações estão em inimizade contra Deus pois a própria Bíblia afirma que "a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser" (Rm 8.7).
O que provou a lei e por que foi escrita sobre tábuas de pedra? Deus sabia que o homem, por possuir um coração empedernido, não poderia viver em conformidade com os Seus mandamentos, ainda que pensasse poder fazê-lo. Se tenho um filhinho que pensa ser capaz de carregar uma pesada mala, como posso provar a ele que não é capaz? Deixo-o experimentar! Israel pensava poder cumprir os requisitos de Deus, pois assim disseram: "Tudo o que o Senhor tem falado, faremos" (Êx 19.8). Mas eles falharam miseravelmente assim como todos nós falhamos.
O Senhor mostra em João 3 que deve haver uma operação de Deus na alma. Houve uma obra de Deus por nós na cruz do Calvário, mas deve haver uma obra que aconteça dentro de nós pois o coração natural do homem nunca irá atender aos clamores de Deus. O Senhor está dizendo a Nicodemos que ele deve nascer de novo - nascer do alto. Ele deve receber uma nova vida, e Deus usa Sua preciosa Palavra, aplicada pelo Espírito de Deus, para fazer isso. Tudo fica muito claro em 1 Pedro 1.22,23, onde lemos: "Purificando as vossas almas na obediência à verdade ('por intermédio do Espírito' - cf. algumas versões)... sendo de novo gerados... pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre". Outrora éramos pecadores e possuíamos somente uma natureza arruinada e pecaminosa, mas quando Deus introduziu a Sua Palavra em nossa alma, pelo poder do Espírito de Deus, fomos gerados ou nascidos de novo, recebendo uma nova vida proveniente de Deus. É por esta razão que passamos a desejar coisas diferentes.
Porém não se trata de um aperfeiçoamento daquela natureza caída que possuímos. Deus não a melhora; Ele a condena conforme aprendemos em Romanos 8.3: "Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne". Ele perdoa nossos pecados, mas não a natureza que nos leva a pecar. Ela permanecerá conosco enquanto estivermos neste corpo. Mesmo naquele que foi salvo há cinqüenta anos a natureza caída não melhorou nem um pouquinho, e nunca irá melhorar. Esta é a razão pela qual os cristãos pecam: deixam a natureza caída agir. Com o auxílio do Senhor iremos, mais adiante, buscar nas Escrituras o caminho da libertação. [continua]
Por que então Deus deu a lei? Bem, quando você conversa com várias pessoas acaba percebendo que elas não crêem naquilo que Deus diz a respeito do homem e por isso Ele teve que nos demonstrar isso. Deus diz que "enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e perverso: quem o conhecerá?" (Jr 17.9). O apóstolo Paulo afirmou: "Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum" (Rm 7.18). Em nosso estado natural não existe nada para Deus. Nossos corações estão em inimizade contra Deus pois a própria Bíblia afirma que "a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser" (Rm 8.7).
O que provou a lei e por que foi escrita sobre tábuas de pedra? Deus sabia que o homem, por possuir um coração empedernido, não poderia viver em conformidade com os Seus mandamentos, ainda que pensasse poder fazê-lo. Se tenho um filhinho que pensa ser capaz de carregar uma pesada mala, como posso provar a ele que não é capaz? Deixo-o experimentar! Israel pensava poder cumprir os requisitos de Deus, pois assim disseram: "Tudo o que o Senhor tem falado, faremos" (Êx 19.8). Mas eles falharam miseravelmente assim como todos nós falhamos.
O Senhor mostra em João 3 que deve haver uma operação de Deus na alma. Houve uma obra de Deus por nós na cruz do Calvário, mas deve haver uma obra que aconteça dentro de nós pois o coração natural do homem nunca irá atender aos clamores de Deus. O Senhor está dizendo a Nicodemos que ele deve nascer de novo - nascer do alto. Ele deve receber uma nova vida, e Deus usa Sua preciosa Palavra, aplicada pelo Espírito de Deus, para fazer isso. Tudo fica muito claro em 1 Pedro 1.22,23, onde lemos: "Purificando as vossas almas na obediência à verdade ('por intermédio do Espírito' - cf. algumas versões)... sendo de novo gerados... pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre". Outrora éramos pecadores e possuíamos somente uma natureza arruinada e pecaminosa, mas quando Deus introduziu a Sua Palavra em nossa alma, pelo poder do Espírito de Deus, fomos gerados ou nascidos de novo, recebendo uma nova vida proveniente de Deus. É por esta razão que passamos a desejar coisas diferentes.
Porém não se trata de um aperfeiçoamento daquela natureza caída que possuímos. Deus não a melhora; Ele a condena conforme aprendemos em Romanos 8.3: "Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne". Ele perdoa nossos pecados, mas não a natureza que nos leva a pecar. Ela permanecerá conosco enquanto estivermos neste corpo. Mesmo naquele que foi salvo há cinqüenta anos a natureza caída não melhorou nem um pouquinho, e nunca irá melhorar. Esta é a razão pela qual os cristãos pecam: deixam a natureza caída agir. Com o auxílio do Senhor iremos, mais adiante, buscar nas Escrituras o caminho da libertação. [continua]
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