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Fruto na velhice

No Evangelho de Marcos há o registro da escolha que Jesus fez de doze homens para serem Seus discípulos. A Bíblia diz, "E nomeou doze para que estivessem com Ele e os mandasse a pregar" (Mc 3.14). Observe que Jesus os escolheu para que primeiro estivessem com Ele, e depois os enviou a pregar. Estar com Ele era comunhão; ser enviado a pregar era serviço. Nisso vemos que a comunhão com Deus é mais importante que o serviço, pois Deus deseja comunhão antes do serviço. Você pode estar surpreso com isso, mas é a ordem estabelecida por Deus. A comunhão com Deus é realmente mais importante que o serviço para Deus.

O cristão que se encontra inválido pela ação de uma artrite, ao ponto de ser atacado por intensa dor ao mais leve movimento, está, obviamente, muito limitado naquilo que pode fazer para o Senhor. Mas o que dizer da comunhão? Uma pessoa assim não somente desfruta de comunhão com Deus, mas pode ter uma comunhão muito mais rica agora que tem mais tempo disponível.

Assim se expressou uma senhora que vive em um asilo:

"Anos atrás eu estava tão ocupada cuidando de minha família que dificilmente tinha tempo para me sentar e ler minha Bíblia, como na verdade deveria ter feito. Ah! sim, eu a lia com uma certa freqüência junto com toda a família. Nós a estudávamos juntos; meditávamos um pouco nela, mas na realidade eu não separava um tempo para ter comunhão com Deus enquanto líamos a Sua Palavra -- falhávamos por não meditarmos verdadeiramente nela. Mas agora estou aposentada e tenho o tempo todo à minha disposição. Começo a desfrutar da meditação na Palavra de Deus, e agora estou tendo uma comunhão maravilhosa com Ele".

Aquela senhora está agora trazendo um prazer muito maior ao Senhor do que antes, quando o tempo que dispunha para Deus era tão limitado.

Por que Deus tem esse interesse tão especial em pessoas mais velhas? Deus quer ter comunhão com os cristãos, e muitos não separam um tempo para meditar e ter comunhão com Ele. Mas as pessoas mais velhas, que têm tempo disponível, podem desfrutar de uma deliciosa comunhão com o Senhor. Deus Se agrada dessa comunhão com pessoas de idade que conhecem o Salvador, e é este um dos frutos espirituais que Deus tem buscado e espera receber.  [Christian Treasury - Vol.5 Nº4]


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Linguas e outros dons de sinais - Gordon H. Hayhoe

"Está escrito na Lei: Por gente doutras línguas, e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor. De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis" (1 Co 14.21,22).

"E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem... E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois que! não são galileus todos esses homens que estão falando?... os temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus" (At 2.4-11).

Quando nos referimos a este assunto, é de suma importância que entendamos duas coisas:

1. Qual era o propósito do dom de línguas?

2. Eram elas línguas normalmente faladas no mundo, ou eram meramente um balbuciar pronunciado em êxtase?

Os versículos citados no início respondem com muita clareza a estas perguntas: Primeiro, foram dadas como um sinal para incrédulos e não para os crentes. Segundo, eram línguas entendidas por pessoas originárias de países onde se falava aqueles idiomas.

Se tivermos estas duas coisas em mente, todas as passagens que tratam do assunto se tornarão claras de uma só vez. Quanto ao fato de elas existirem ou não nos dias de hoje, se existirem, devemos esperar que sejam as mesmas mencionadas pelas Escrituras. Deus deu sinais para confirmar a Palavra para os incrédulos, isto é, antes que o Novo Testamento tivesse sido escrito (Mc 16.20; Hb 2.3,4). Porém hoje encontramos duas coisas que chamam nossa atenção no moderno movimento de línguas:

Primeiro, elas não são utilizadas para proclamar as grandezas de Deus aos incrédulos em suas próprias línguas.

Segundo, elas encontram-se, freqüentemente, associadas com algum erro sério acerca da Pessoa e obra de Cristo, e também estão conectadas a outras práticas que não são bíblicas.

Estas coisas devem nos colocar em estado de alerta antes que nos envolvamos com tais movimentos, pois nos é dito: "Examinai tudo. Retende o bem" (1 Ts 5.21). A maneira de as examinarmos é pela Palavra de Deus. É algo muito sério buscarmos algum tipo de poder que não esteja em conformidade com a Palavra de Deus.

Consideremos as três passagens em Atos que falam das línguas. Em Atos 2, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu de acordo com a promessa de Atos 1.4,5 (veja também João 7.39; 16.7). Até àquela época Deus estava tratando com uma nação em particular, e o Senhor Jesus, quando esteve aqui na terra, declarou, "Eu não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 15.24). Ele também falou aos Seus discípulos, "Não ireis pelo caminho das gentes (gentios), nem entrareis em cidade de samaritanos; mas ide antes às ovelhas perdidas da casa de Israel" (Mt 10.5,6). Porém no dia de Pentecostes algo novo estava para começar. O Senhor Jesus havia dito, "Edificarei a minha Igreja" (Mt 16.18), e essa Igreja seria composta de judeus e gentios (1 Co 12.13). A parede de separação entre judeus e gentios estava para ser derrubada (Ef 2.14), e qual sinal poderia ser mais apropriado, para ser dado em conexão com esse algo novo, do que o dom de línguas? A mensagem das grandezas de Deus era assim proclamada em muitas línguas diferentes, e isso sem qualquer aprendizado prévio por parte dos que as falavam. Deus mostrava estar indo além das fronteiras de Israel, pois Ele estava pronto para derrubar a parede de separação que dividia os judeus dos gentios.

Encontramos a próxima referência ao dom de línguas em Atos 10.46. Vemos ali um grupo de gentios na casa de Cornélio, pois mais uma vez Deus está apresentando aquilo que é novo pela introdução dos gentios na formação da igreja de Deus sobre a terra. Eles receberam o Evangelho proclamado por Pedro e, quando o Espírito Santo veio sobre eles, falaram em línguas e foram acrescentados à igreja. Em Atos 11.4-18, ao recordar o que acontecera, Pedro disse, "caiu sobre eles o Espírito Santo, como também sobre nós ao princípio". Isso deixa bem claro que eles também falaram línguas inteligíveis (idiomas falados neste mundo), pois foi assim que o dom de línguas havia sido dado "ao princípio". Mais uma vez vemos que isso estava em harmonia com os desígnios de Deus, em demonstrar que Ele estava alcançando, muito além de Israel, os próprios gentios. Aqueles que se encontravam na assembléia em Jerusalém foram levados a admitir isso, pois disseram, "Na verdade até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida" (At 11.18).

A terceira vez em que lemos acerca do dom de línguas é em Atos 19.6, quando Paulo vai a Éfeso. Ali vemos um grupo de discípulos que nunca havia ouvido o evangelho da graça de Deus. Eles haviam aceitado a mensagem de João Batista que falava da vinda do Messias e, em arrependimento, tinham sido por ele batizados. Agora eles ouvem acerca do Senhor Jesus que morreu e ressuscitou, e que o Espírito Santo foi enviado. João havia dito que o Senhor Jesus batizaria com o Espírito Santo (Mt 3.11), e isso já havia acontecido no dia de Pentecostes, como o Senhor Jesus havia predito que aconteceria em Atos 1.5. Agora já não era mais necessário esperar pelo batismo do Espírito Santo, pois Ele já havia vindo, e assim, quando Paulo impôs suas mãos sobre eles, receberam o Espírito Santo. Eles também deram testemunho, ao falar em línguas, que o cristianismo não era igual à mensagem de João à nação de Israel, pois a mensagem do evangelho no cristianismo alcançava até os gentios. A epístola de Paulo aos Efésios não menciona o dom de línguas, mas revela claramente como a parede de separação entre judeus e gentios foi derrubada, formando um corpo em Cristo (Ef 2.14-16; 3.6).

A única epístola que fala do dom de línguas é 1 Coríntios. Ali nos é dito que aos Coríntios não faltava nenhum dom, e ainda assim eram cristãos carnais (1 Co 1.7; 3.1). Uma vez que "os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento" (Rm 11.29), Deus não retira um dom que tenha sido dado a uma pessoa, mesmo que ela não o esteja utilizando em conformidade com a Sua vontade revelada em Sua Palavra. É possível usar um dom dado por Deus de maneira errada, ou fazê-lo apenas para exibição e exaltação própria. Além disso é importante notar que nem todos os crentes em Corinto tinham o dom de línguas (1 Co 12.30), mas alguns, que haviam recebido esse dom, não o estavam usando em amor e nem para proveito, razão pela qual Paulo os exorta a não agirem como meninos que gostam de se exibir (1 Co 13.11; 14.20). Quando ele fala das línguas dos homens e dos anjos, o faz no mesmo sentido em que fala de anjos pregando um outro evangelho (Gl 1.8), pois podemos estar certos de que os anjos são capazes de falar qualquer língua deste mundo, e que os anjos eleitos são espíritos ministradores cuidando de todos os filhos de Deus, independente de sua nacionalidade (Hb 1.13,14).

Não existe aqui nenhum pensamento acerca da, assim chamada, "língua celestial", pois como poderia uma língua desconhecida a qualquer pessoa ou nação deste mundo ser um testemunho para incrédulos? Pois as Escrituras nos demonstram, conforme já mostramos, que as línguas foram dadas como um sinal para os incrédulos. As línguas não serão necessárias quando "vier o que é perfeito" (1 Co 13.8-10), portanto cessarão na glória vindoura. Note aqui que não diz "o dom de línguas", mas simplesmente que as "línguas" cessariam. Nos céus a profecia não será necessária, o conhecimento não será mais em parte e, já que todos serão de um mesmo parecer e falarão a mesma linguagem, então as línguas (ou idiomas) cessarão. As diferentes línguas começaram com a torre de Babel quando o homem, em seu orgulho, procurou erguer uma torre de tijolos cujo topo alcançaria os céus. Agora Deus está construindo uma casa espiritual, da qual todos os crentes fazem parte como pedras vivas, não importa que língua falem ou a que nacionalidade pertençam. Mais uma vez vemos a sabedoria de Deus em apresentar esse algo novo por meio do dom de línguas. O uso desse dom sem amor e para pura exibição não estava nos propósitos de Deus.

Mais adiante, no capítulo quatorze de 1 Coríntios, o apóstolo continua tratando deste assunto e dá as regras para o seu uso em assembléia. Nas ocasiões anteriormente registradas em Atos, elas não eram usadas na assembléia, quando estavam reunidos, mas apenas como um sinal para cumprir o propósito para o qual Deus lhes havia dado. Já que era um dom dado por Deus o seu uso não era proibido, a não ser quando não houvesse um intérprete. O dom seria, quando usado adequadamente, uma lembrança à assembléia da graça de Deus em operar entre as nações em bênção, reunindo-os num só corpo em Cristo. Mesmo em nossos dias podemos ser propensos a esquecer, em uma assembléia onde todos falem a mesma língua, que Deus está salvando almas de toda tribo, língua, povo e nação, e dando a elas o Espírito Santo como membros do único corpo. Com freqüência, quando alguém que fala outra língua nos visita, e temos que interpretá-la para os demais, somos lembrados de como, no dia de Pentecostes, cada um ouviu das grandezas de Deus em sua própria língua natal (At 2.8).

É triste termos que admitir que os coríntios estavam usando o dom de línguas para exibição e, por esta razão, Paulo precisou dizer-lhes que não falassem em outra língua, desconhecida dos presentes, a menos que houvesse um intérprete. Eles poderiam, porém, falar "consigo mesmo e com Deus" em outra língua, pois Ele entende todas as línguas. Se eu estivesse em uma reunião onde ninguém compreendesse o inglês, eu falaria comigo mesmo e com Deus em inglês. Mas os versículos 21 e 22 de 1 Coríntios 14 deixam claro que não se tratava de algum balbuciar pronunciado em êxtase, Porém as línguas que Paulo mencionava eram diferentes idiomas que poderiam servir de sinal, para os incrédulos, do poder de Deus e de como a mensagem da salvação chegava agora a todas as nações. Se nenhum dos presentes na assembléia pudesse entender a língua, e se não houvesse nenhum intérprete, ela não serviria para o propósito dado por Deus, conforme é demonstrado em Atos 2. Além do mais teria parecido loucura para os estranhos que chegassem e não pudessem compreender o que estava sendo falado. Seria confusão; Deus não seria glorificado e ninguém seria edificado (1 Co 14.21-25).

Mas a pergunta que normalmente se faz é se ainda temos o dom de línguas em nossos dias. Perguntar isso já é dar a resposta, pois não existe uma pessoa ou grupo que possa admitir ser capaz de fazer o que aconteceu em Atos 2, reunindo um grupo de pessoas de "todas as nações que estão debaixo do céu" (At 2.5), e então falar-lhes, em suas próprias línguas, das grandezas de Deus.

Isto nos leva a uma consideração importante, não apenas com respeito ao dom de línguas, mas também acerca de todos os dons de sinais. As Escrituras não prometem que os dons de línguas, curas e milagres, que incluíam até o ressuscitar mortos, conforme eram exercidos na igreja primitiva por pessoas especialmente dotadas, iriam continuar. Sabemos que eles existiram nos primeiros dias da igreja, como está claramente registrado em Atos e Coríntios, como sinais para confirmarem a Palavra que ainda não tinha sido escrita. Há, no entanto, a promessa da continuidade dos dons de ministério para edificação da igreja (Ef 4.7-16). Temos agora, na Palavra escrita, o fundamento do cristianismo lançado pelos apóstolos e profetas (Rm 16.26; 1 Co 3.10; Ef 2.20-22), e a continuação dos dons de ministério, "para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina" (Ef 4.12-14).

Como já foi mencionado, há aqueles que professam possuir o dom de línguas e outros "dons de sinais" em nossos dias. À medida que colocamos à prova suas afirmativas, pela Palavra de Deus e pelos próprios fatos, constatamos que não são iguais àquilo que nos é apresentado no livro de Atos. Não usam o dom de línguas como um sinal para os incrédulos e nem podem fazer que um grupo de doentes se aproxime e sejam todos curados (At 5.12-16). Mesmo com respeito às curas registradas em Atos, não existe a certeza de que aqueles que foram curados fossem crentes, mas tudo indica justamente o contrário. Era um sinal para confirmar a Palavra para os incrédulos, mesmo porque os verdadeiros crentes não necessitam que a Palavra lhes seja confirmada, pois a receberam como sendo a Palavra de Deus (1 Ts 2.13). É também importante notar que a cura tem relação com o tempo ou século futuro (Hb 6.5; Is 33.24; Sl 103.3). Era um sinal dirigido especialmente àqueles que haviam rejeitado o seu Messias, e a outros também, mostrando que é Ele Quem irá no futuro trazer as bênçãos do reino sobre a terra; que Ele Se encontra agora ressuscitado, e que essas obras de poder eram feitas em nome dEle (At 4.9,10).

É muito importante distinguirmos as duas esferas distintas de bênção das quais o Senhor será o centro no dia vindouro (Ef 1.10). Haverá a esfera celestial à qual pertence à igreja (2 Co 5.1; Cl 1.5; 1 Pd 1.3,4) e haverá a esfera terrenal da qual a Jerusalém na terra será o centro (Is 4.3-5; 65.18). Já que nós, como parte que somos da igreja, somos um povo celestial, aguardamos o momento da Sua vinda quando seremos transformados e teremos corpos de glória à imagem do corpo glorioso de Cristo (Fp 3.20,21). Enquanto isso, neste tabernáculo "gememos, desejando ser revestidos da nossa habitação, que é do céu" (2 Co 5.2).

Em relação a isto, é bem interessante notar com cuidado as referências feitas às doenças entre os crentes nas epístolas, entre aqueles que pertencem ao povo celestial. Lemos em Romanos 8.23 que "nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo". Não há aqui nenhuma referência a cura, mas sim a esperar pela redenção de nosso corpo. O Espírito, enquanto isso, "ajuda as nossas fraquezas" ("enfermidades", cf. versão inglesa), mas não diz que Ele as remove.

Mais adiante, em 2 Coríntios 12.7-10, vemos que Paulo tinha um espinho na carne, chamado de "enfermidade física" em Gálatas 4.13 (versão Almeida Revista e Atualizada), e ainda assim o Senhor não o curou, mas o ensinou a depender dEle quanto àquela dificuldade. Timóteo tinha "freqüentes enfermidades", mas Paulo não lhe indicou alguém que o curasse, mas aconselhou que utilizasse um remédio para sua enfermidade (1 Tm 5.23). Mais uma vez vemos, em 2 Timóteo 4.20, que embora Paulo houvesse curado a muitos em seu trabalho no evangelho, (como está registrado em Atos 19.11,12; 28.8,9), deixou Trófimo doente em Mileto.

Em Tiago 5.14-18 encontramos o caso de um que, estando doente, chama pelos anciãos para orarem por ele. Não se trata da fé do doente que lhe restaura a saúde -- sua fé nem mesmo é mencionada -- mas trata-se de um exercício de fé da parte daqueles que oraram por ele. Também não se trata do dom de curar sendo exercitado, mas sim de uma oração respondida, sugerindo que aquele que estava doente reconhecia que devia ser honesto o suficiente para confessar um pecado conhecido. Aqueles que oram discernem a vontade de Deus em relação à enfermidade, e orando de acordo com a vontade de Deus, Ele responde à oração. Não há menção aqui de uma cura súbita e miraculosa, mas do Senhor levantando o enfermo novamente. Além do mais, naqueles dias havia anciãos (ou presbíteros) designados pelos apóstolos, enquanto que hoje não há apóstolos ou quem tenha recebido autoridade delegada diretamente por eles, como era o caso de Tito (Tt 1.5), para estabelecer anciãos. A assembléia local nunca nomeava os seus próprios anciãos, mesmo nos tempos bíblicos, embora não exista dúvida de que mesmo nestes nossos dias de ruína e fracasso Deus permaneça fiel, e assim como Paulo previu que viriam dias em que lobos vorazes entrariam (e estão entrando) no rebanho, ele se referiu também àqueles anciãos de Éfeso, não como tendo sido nomeados por Paulo, mas pelo Espírito Santo (At 20.28.30). Não existem anciãos (bispos ou presbíteros) oficiais hoje, mas sem dúvida há, ainda hoje, aqueles levantados por Deus para tomar conta do Seu povo, em um espírito de humildade e amor pelo rebanho de Deus. Não há dúvida de que é por esta razão que Tiago menciona o caso de Elias, um profeta nos dias da ruína e divisão de Israel, e demonstra como ele era conhecedor da vontade de Deus em suas orações. Ele primeiro viu, ao suspender as chuvas, a necessidade de disciplina do povo de Deus, e então Deus em graça respondeu à oração de Elias ao enviar chuva. Com freqüência temos visto, em nossos dias, o Senhor respondendo às orações, em situações de dificuldade ou ao restaurar a saúde aos enfermos, mas precisamos compreender as épocas e termos discernimento da Sua vontade a este respeito (Ef 5.17).

Por meio de 1 Coríntios 11.30 podemos ver como Deus utiliza a enfermidade em Seus desígnios governamentais, pois lemos que em virtude de pecado não julgado Deus permitiu que muitos em Corinto estivessem "fracos e doentes", por não terem julgado a si mesmos por seu proceder negligente. João também fala destas coisas em sua epístola (1 João 5.14-17), mostrando como o Senhor poderia remover, por meio da morte, alguém que não tomasse cuidado com seu proceder. Embora o cristão esteja eternamente seguro no que diz respeito à salvação de sua alma, ele se encontra sob os desígnios governamentais de Deus, e Ele às vezes utiliza a doença para tratar com os que são Seus. Se nos recusamos a escutar, poderemos perder o privilégio de vivermos aqui como um testemunho para Cristo, embora o sangue de Cristo já nos tenha tornado prontos para o céu. Evidentemente isto não significa que toda enfermidade seja uma punição, pois ela pode vir tanto em razão de nosso corpo fazer parte de uma criação que geme, e termos por isso herdado alguma fraqueza, como pode também fazer parte do método de ensino de Deus, como quando se poda uma videira para que produza mais fruto. Era este o caso de Paulo em 2 Coríntios 12.7-10.

É de suma importância para nós, em nossa expectativa, não irmos além da Palavra de Deus (1 Co 4.6; Sl 62.5; Nm 23.19). Aqueles que buscam por dons de sinais nos dias de hoje, estão permitindo que suas expectativas ultrapassem a Palavra de Deus, e isso os deixa vulneráveis a "todo vento de doutrina" e ao poder do inimigo (Sl 17.4,5; 2 Tm 2.24-26). Falsos profetas farão sinais e maravilhas no futuro (Mt 24.24), mas serão sinais feitos pelo poder de Satanás, e a única maneira de termos certeza se algo é de Deus é que esteja de acordo com Sua Palavra. Todas as passagens das Escrituras que tratam dos últimos dias da história da igreja, falam do abandono de Deus e de fraqueza, não de sinais e maravilhas. Veja a descrição que Paulo faz dos últimos dias da igreja em 2 Timóteo 3, ou a descrição que João faz dos últimos dias da igreja como é vista em Laodicéia (Ap 3.14-20), e também os avisos de Pedro em 2 Pedro 3.3,4. A profecia de Joel em Atos 2, que alguns usam para dar fundamento aos sinais e maravilhas nestes últimos dias da história da igreja, se refere a um tempo futuro para Israel (trata-se dos últimos dias para Israel, cf. Joel 2.21-32). O dia do Pentecostes encontrava-se naquele caráter pois a Israel, como nação, foi dada naquela ocasião a oportunidade de se arrepender de sua culpa por ter crucificado o Messias, e assim receber a bênção prometida, que será deles em um dia futuro quando efetivamente irão se arrepender (At 3.17-26).

O Espírito Santo foi dado no dia do Pentecostes, e agora, como uma Pessoa divina, Ele habita nos corpos dos crentes (1 Co 6.19) e Se encontra também na casa professa da cristandade (Ef 2.22). O Senhor Jesus falou disso (Jo 14.16,17), dizendo aos discípulos, antes do dia de Pentecostes, que esperassem por Sua vinda em cujo tempo eles seriam "do alto revestidos de poder" (Lc 24.49). Em Corinto, não foi dito aos crentes que esperassem que viesse "poder" sobre eles, mas, ao invés disso, foi dito que deveriam usar os dons do Espírito, que Deus lhes havia dado, inteligentemente, dirigidos por Sua Palavra e em uma santa liberdade, conforme fossem guiados pelo Espírito (1 Co 12.4-11). Como alguém já disse, "O Espírito e a Palavra não podem ser separados sem que se caia no fanatismo, de um lado, ou no racionalismo, do outro". É perigoso aguardar por um derramamento adicional do Espírito, além daquele que temos, sendo habitados pelo Espírito de Deus. Há dois poderes acima do homem, e estes são o poder de Deus e o poder de Satanás. O movimento carismático leva as pessoas a buscarem por demonstrações de poder que não estão em conformidade com a Palavra de Deus e, portanto, não são pelo Espírito de Deus. Edward Irving, que iniciou esse movimento na Inglaterra no século passado, ensinou algumas coisas chocantes acerca da Pessoa de Cristo, as quais não convém repetir aqui (conforme citado por J. N. Darby em "Collect Writtings", Vol. 15, Pg. 1-51), no entanto aconteceram grandes demonstrações de poder e "línguas" naquela época, pegando em suas redes até mesmo cristãos verdadeiros (cf. "Spirit Manifestations", Sir Robert Anderson, pg. 19,20). Mesmo nos dias de hoje a demonstração desse poder e "línguas" está com freqüência associada a má doutrina acerca da Pessoa e obra do Senhor Jesus Cristo, e a outras práticas não bíblicas, pois Satanás pode tomar a forma tanto de um "anjo de luz" (2 Co 11.13-15) como de um "leão que brama" (1 Pd 5.8,9). Seu grande alvo sempre foi atacar a gloriosa Pessoa e a obra consumada de nosso bendito Senhor e Salvador.

Por esta razão vemos a importância de primeiro testarmos esse movimento carismático moderno pela Palavra de Deus. Não busquemos por "poder", pois se alguém, seja homem ou mulher, é um verdadeiro crente no Senhor Jesus Cristo, tal pessoa é habitada pelo Espírito de Deus, que é o poder para nosso andar como filhos de Deus. Em Lucas 11.13, antes do dia de Pentecostes, o Senhor Jesus disse aos Seus discípulos que pedissem pelo Espírito Santo, pois Ele ainda não havia sido dado (Jo 7.39), mas agora Ele habita nos corpos de todos que creram no evangelho (Ef 1.13). Não há qualquer registro de alguém a quem tenha sido dito que esperasse pelo batismo do Espírito Santo após o dia de Pentecostes. Existe a exortação que diz "enchei-vos do Espírito" (Ef 5.18), que significa que devemos permitir que Ele nos guie em tudo o que fazemos. Ela é dada em contraste com o embriagar-se com vinho, uma vez que alguém assim estaria fora de controle, enquanto que aquele que está cheio com o Espírito encontra-se sob controle, pois dois aspectos do fruto do Espírito são temperança e domínio próprio (Gl 5.22,23 Almeida Versão Atualizada). Onde o Espírito de Deus estiver guiando, aí há liberdade e serviço inteligente.

À medida que andarmos perto do Senhor em dependência e obediência, haverá, pelo poder do Espírito de Deus, o desfrutar de Cristo e de nossa porção nEle, pois o Espírito Santo não fala de Si mesmo, mas nos guia a toda verdade e glorifica a Cristo (Jo 16.13,14; Ef 3.16,21; Cl 1.8-14). Ele também nos capacitará a darmos um verdadeiro testemunho por Cristo perante outros (Fp 2.15,16). Se virmos demonstrações de poder ao nosso redor, seremos mais prontos a verificar se estão de acordo com a Palavra de Deus do que a nos deixarmos levar pelo próprio sinal ou maravilha (Dt 13.1-4).

Ao terminar, gostaria de colocar estas palavras diante do Senhor para que possam ser úteis para auxiliar o povo de Deus a discernir o caminho de fé nestes últimos dias. Regozijamos-nos ao ver Deus operando em graça ao salvar almas, usando Sua preciosa Palavra por quem quer que a pregue (Fp 1.18). Mas Deus quer também que todos os que são Seus "venham ao conhecimento da verdade" (1 Tm 2.4). O caminho de obediência à Sua Palavra é o único caminho seguro e verdadeiramente feliz, e neste caminho, como alguém já disse, "não existem desapontamentos e nem esperanças perdidas". Os caminhos da sabedoria "são caminhos de delícias, e todas as suas veredas, paz" (Pv 3.17). As Escrituras não nos dizem que devemos buscar por um segundo Pentecostes; ao invés disso nos exortam a saber como devemos agir e como devemos nos reunir ao Nome do Senhor Jesus Cristo em obediência, numa época em que a cristandade se tornou uma grande casa, com "vasos para honra, outros, porém, para desonra" (2 Tm 2.16-26). Certa ocasião o Senhor teve que dizer a Pedro, "Para trás de mim, Satanás" (Mt 16.23), mostrando que até mesmo um crente útil e verdadeiro pode ser seduzido e usado pelo inimigo.

Que possamos compreender o que é desfrutar de nossa porção em Cristo agora, pelo Espírito, possuindo, como alguém já disse, corações amplos (para amarmos a todos os verdadeiros filhos de Deus) e pés estreitos (para caminharmos no estreito caminho da obediência à Palavra de Deus), enquanto ansiamos pelo bendito dia em que estaremos com Cristo naquele glorioso Lar nas alturas. Então a igreja será apresentada "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante" (Ef 5.27). Tudo o que será verdadeiramente levado em conta então será ter a Sua aprovação quanto ao caminho que trilhamos em direção ao Lar, a casa do Pai. - [Gordon H. Hayhoe]


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O menino raptado

"O que faço, não compreendes agora, mas o compreenderás mais tarde." (Jo 13.7 - Bíblia de Jerusalém).

Um imigrante europeu, que havia se estabelecido à beira de uma floresta no Canadá, tinha um bom relacionamento com os índios das vizinhanças e de mui grado aceitava os seus serviços. Vivia ali com sua mulher e um filhinho que era a sua alegria. Porém, as terras que procurava explorar eram de pouca fertilidade.

Um dia, um dos índios chegou à sua casa e, mediante sinais, procurava levá-los à floresta. Eles se recusavam a segui-lo pois não compreendiam suas intenções. Pouco depois, o índio voltou e renovou sua tentativa, mas sem êxito. Então, ao ver o berço do menino, tomou-o e o levou sob o olhar aterrorizado de seus pais. Estes se puseram a persegui-lo, suplicando-lhe que devolvesse seu tesouro.

O índio acabou se detendo em uma ampla clareira da floresta onde crescia uma abundante pastagem. Ao lhes devolver o menino, deu a entender que podiam se mudar para aquelas terras, muito mais férteis que o lugar onde estavam instalados. E assim o fizeram, ajudados por seu amigo, e para grande prosperidade.

Queridos pais que choram por um filho amado: Acaso Deus não agiu com vocês como o índio da história? Ele quer que vocês O sigam, talvez chorando e sem compreender, mas Ele quer atraí-los a Si próprio para fazer com que apreciem o Seu amor. Sim, Ele quer lhes dar uma porção melhor do que todos os bens deste mundo, uma felicidade eterna na casa paterna, na qual vocês voltarão a encontrar aqueles que os precederam na viagem até lá.


"Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e Eu vos aliviarei" (Mt 11.28). 
"Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens." Mateus 5.16.



Estávamos no último automóvel de uma fila que, com seus faróis acesos, acompanhava um cortejo fúnebre. Ao passarmos cautelosamente pelo farol vermelho, percebemos que mais um carro se juntou a nós, no final da fila, também com suas luzes acesas. Porém, após passarmos pelo cruzamento, aquele carro apagou os seus faróis e saiu da fila, tomando um rumo diferente.


Acaso você é um "cristão oportunista", cuja identificação com Cristo somente acontece quando isto lhe traz alguma vantagem pessoal? Ou, quem sabe, ocorre somente aos domingos? Se assim for, a realidade de seu relacionamento com Ele precisa ser reavaliada. [D. Logan]

Fora do arraial, longe do arraial



https://youtu.be/yBTvj_Ig4LY

"Saiamos pois a Ele fora do arraial levando o Seu vitupério" Hb 13:13. Poderíamos fazer várias perguntas em relação a este versículo da Bíblia. A quem foi dirigido este apelo? Por que foi dirigido? Pode ser aplicado a nós? E, se for para nós, qual é o seu motivo e significado? Busquemos a resposta a estas perguntas no temor do Senhor e para proveito de nossas almas.

Espere! - R. Pilkington

Gostaria de falar a respeito de algo que, creio eu, se puder ser aprendido enquanto somos jovens, será para nós de grande auxílio. Sei, porém, que esta característica é também muito necessária para os anos mais avançados de nossa vida. Vamos ler 1 Samuel, capítulo 10, versículos 6 ao 8, que é onde o povo escolhe um rei.

"E teve compaixao deles" - C. Wolston

Em um mundo de miséria e necessidade, quão bom é conhecermos Alguém cujo coração sofreu isso tudo, tomando sobre Si as nossas dores, e cujas emoções de profundo amor são tão expressivas que podemos vê-las e conhecê-las nestas palavras: "E teve compaixão deles". Marcos 6:34

Aquela bendita face expressava claramente o palpitar de uma misericórdia divina a revolver o Seu interior. O coração se expressava antes mesmo que a mão se movesse para aliviar aquilo que Seus olhos contemplavam. Não se tratava de um sentimento passageiro, uma emoção de momento.

A dor da miséria humana encontrou morada permanente no coração de Jesus. Ele, que é "o mesmo ontem, e hoje, e eternamente", embora esteja agora no trono de Deus em glória, ainda tem "compaixão deles", enquanto olha para nós e assimila toda a miséria e necessidade que sobem em incessante súplica, e com uma intensidade cada vez mais profunda, ao trono de misericórdia.

Se o Pastor de Israel se moveu de compaixão, enquanto olhava para os filhos de Abraão e os via "como ovelhas que não têm pastor", quão profunda deve ser a emoção com que agora o Senhor Jesus contempla os filhos de Deus mais uma vez espalhados! Que terrível estrago os "lobos cruéis" fizeram no "rebanho"! (At 20.29).

Como os pregadores de coisas perversas atraíram "os discípulos após si"! (At 20.30). Quanta divisão, e ofensa generalizada, trouxeram aqueles que "não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre"! (Rm 16.18). Certamente tudo isso aparece com força perante Ele que "amou a igreja, e a Si mesmo Se entregou por ela" (Ef 5.25).

Mas será que tudo se resumia no fato de ser, o povo de Jeová, "como ovelhas que não têm pastor"? Acaso não foram eles próprios que pecaram? Terá o coração deles sido "reto para com Ele"? Teriam eles sido "fiéis ao Seu concerto"? Ele sabia muito bem que tinham sido exatamente o contrário; a longa e triste história daquele povo perverso e obstinado estava toda diante dEle, "mas Ele, que é misericordioso, perdoou a sua iniquidade" (Sl 78.37,38).

E será que a Igreja do Deus vivo tem sofrido apenas em razão de falsos mestres e guias maus? Acaso terão os filhos de Deus uma história melhor que a dos filhos de Israel? Terão sido menos perversos e obstinados? Terão todos, juntamente, guardado a Sua Palavra? E será que os seus corações têm sido retos para com Ele, que os redimiu com Seu próprio sangue?

Quão bem Ele sabe que os privilégios mais elevados e as melhores promessas apenas revelaram um pecado mais profundo, e, na mesma proporção, menos ainda foi correspondido o Seu amor! Certamente todo coração conhece isto. Quão doce, então, em nossos dias, nos voltarmos para Aquele cuja compaixão não termina e que "como havia amado os Seus, que estavam no mundo, amou-os até ao fim"! (Jo 13.1).

Quão bom era estarem ali e poderem contar com aquele coração profundamente comovido de intenso amor e perdão, que "começou a ensinar-lhes muitas coisas" (Mc 6.34). Embora Ele hoje fale a nós lá do céu, trata-se do mesmo céu que está aberto para nós, não existindo distância para a fé. A ruína e a ignorância encontram-se ao nosso redor. Podemos tão somente perceber a primeira e ministrar à segunda, enquanto permanecemos com Ele que, acima de todo mal, vê tudo e apenas aguarda o momento para o ministério do amor.

Quão bom era estarem ali e poderem contar com aquele coração profundamente comovido de intenso amor e perdão, que "começou a ensinar-lhes muitas coisas" (Mc 6.34). Embora Ele hoje fale a nós lá do céu, trata-se do mesmo céu que está aberto para nós, não existindo distância para a fé. A ruína e a ignorância encontram-se ao nosso redor. Podemos tão somente perceber a primeira e ministrar à segunda, enquanto permanecemos com Ele que, acima de todo mal, vê tudo e apenas aguarda o momento para o ministério do amor.

Aqueles que, em qualquer medida, servem às ovelhas de Cristo nestes últimos e derradeiros dias, precisam ponderar muito estas palavras, dirigidas a alguém no passado, "executai juízo verdadeiro, mostrai piedade e misericórdia cada um a seu irmão" (Zc 7.9), enquanto, acima de tudo, permaneçam bem no espírito daquEle que é "misericordioso e fiel Sumo Sacerdote" (Hb 2.17), que, rodeado de fraqueza, e tocado com os mesmos sentimentos que temos, pode "compadecer-Se ternamente dos ignorantes e errados" (Hb 5.2). - C. Wolston

O casaco de peles

O vento gelado já se fazia sentir e as densas nuvens prenunciavam um inverno rigoroso. Buscando precaver-se contra o frio, o caçador dirigiu-se à floresta a fim de matar um urso, do qual planejava fazer um bom casaco de peles. Não demorou muito para encontrar um grande urso vindo em sua direção. O caçador levantou sua arma e, mirando no grande animal, preparou-se para atirar.

- Espere! - gritou o urso, - por que você quer me matar?

- Porque estou com frio - disse o caçador, - e preciso de um casaco.

O urso, mostrando-se dócil e amigo, retrucou: - Compreendo o seu problema, mas entenda que eu também tenho um problema a resolver pois estou com muita fome. Que tal se nós conversássemos a respeito e, juntos, procurássemos uma solução para nossos problemas? Tenho certeza de que poderemos chegar a um consenso!

O caçador concordou prontamente e, sentando-se ao lado do urso, começou a discutir com ele um meio de se chegar a uma solução que deixasse ambos satisfeitos. No final, o caçador acabou bem agasalhado com a pele do urso, e o urso pôde satisfazer sua fome.

Nós sempre saímos perdendo quando tentamos dialogar com o pecado. Ele acabará por nos consumir.

"Seduziu-o com a multidão das suas palavras, com as lisonjas dos seus lábios o persuadiu. E ele segue-a logo, como boi que vai ao matadouro, e como o louco ao castigo das prisões; até que a flecha lhe atravesse o fígado, como a ave que se apressa para o laço, e não sabe que ele está ali contra a sua vida." Provérbios 7.21-23.

Autor desconhecido

Como ser feliz

Querido cristão, jovem ou velho, conserve um relacionamento íntimo com Deus. Quando você descobrir que falhou e pecou, não faça pouco caso disso. Trata-se de algo sério, pois interrompe a sua comunhão, e nada poderá disfarçar essa perda. Portanto, reconheça LOGO e confesse a seu Pai, e receba o Seu perdão (1 João 1.9).

Se foi um caso de falhar para com outros, então não hesite em confessar isto a eles, não importa quão humilhante possa ser. Isto manterá a sua consciência límpida e exercitada, além de promover a comunhão e aumentar o seu gozo. O que encobre as suas transgressões, nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia." (Provérbios 28.13.)

Leia a Palavra de Deus. Uma grande razão para o fracasso de muitos que pertencem ao povo querido do Senhor está em não lerem suas Bíblias. Eles parecem não ter apetite para isto. Um capítulo, de manhã e à noite, parece ser tudo o que eles acham necessário. Se eles tratassem seus corpos com uma dieta tão limitada, cedo entrariam em colapso. É excelente cultivar um apetite pela Palavra. Leia bastante, e intercale sua leitura com muita oração em busca de esclarecimento e auxílio, e para que a graça a transforme em bem em sua alma. (Salmo 1.2,3.)

Carregue constantemente com você uma edição ou porção de bolso das Escrituras. Não se envergonhe de ser visto lendo-a. Deixe que ela seja o seu conselheiro. Ali está a sabedoria; ali há luz; tudo o que você precisa está ali. É a voz de Deus, a qual o Espírito Santo faz com que seja ouvida no silêncio do mais íntimo de sua alma, para guiá-lo e aconselhá-lo. É também a COMIDA da nova vida, portanto, "Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo" (1 Pedro 2.2); do contrário você acabará se tornando um anão espiritual. (Salmo 119.11.)

Que você possa ler, grifar, assimilar e digerir sua Bíblia, com muito fervor e oração. Não fique desencorajado se não parecer estar aprendendo muito a cada vez. Você adquirirá o suficiente para a SUA NECESSIDADE, e descobrirá sempre que tem o suficiente para dar a outros se tiver um coração pronto a fazê-lo. "A alma generosa engordará, e o que regar também será regado." (Provérbios 11.24.) Portanto, quanto mais você der, mais receberá para dar, e maior será o seu gozo em dar.

Ore muito. Todos os homens de Deus são homens de muita oração. Eles vivem no espírito de oração e, sempre que acham uma oportunidade, têm prazer em se afastar, sem que os outros percebam, para falarem com Deus. A oração é a expressão da dependência do cristão para com Deus. Trata-se da fraqueza humana se apegando à força do Todo-Poderoso, ligando-se a Ele com expressivo e terno amor. Apóie-se nEle totalmente.

Trate Deus como seu Pai. Exercite para com Ele uma confiança sem restrições. Nunca pense que algo possa ser muito trivial ou sem valor para Ele Se ocupar. "Lançando sobre Ele toda a vossa ansiedade, porque Ele tem cuidado de vós." (1 Pedro 5.7.) Benditas palavras! "TODA A VOSSA ANSIEDADE - ELE TEM CUIDADO - DE VÓS."

Não negligencie sua oração a sós. No momento em que você começa a negligenciar isto, esteja certo de que há algo errado. Pare imediatamente e examine-se, procurando se assegurar de ter o impedimento removido, caso contrário o resultado será uma queda. Não viva para ser visto pelos outros, mas para ser visto por Deus.

Procure as respostas à oração, e volte para dar graças. Não se esqueça de ser agradecido. Faça com que estas coisas tornem-se um hábito constante em sua alma e sua felicidade estará assegurada. (Filipenses 4.6,7.)

"Ora àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, ao único Deus, Salvador nosso, por Jesus Cristo, nosso Senhor, seja glória e majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, agora, e para todo o sempre. Amém." (Judas 24,25.)

Gospel Truth Publications

Volte! - M. Persona

"E Jesus lhes disse: Eu sou o Pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome; e quem crê em mim nunca terá sede. Tudo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora." (Jo 6.35,37.)

Que convite de amor Cristo nos faz! O mundo nos faz muitos convites e promete uma paz fundamentada em coisas efêmeras que não duram uma vida. Mas o Senhor oferece algo que não passa: "Deixo-vos a paz, A MINHA PAZ vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá." (Jo 14.27.) 

Conta-se que Abraham Lincoln, ao ser eleito presidente dos Estados Unidos, preparava-se para embarcar no trem que o levaria a Washington quando, voltando-se para a multidão que o acompanhara à estação, disse:

- Certo rei ordenou a seus sábios que escrevessem uma frase que pudesse ser usada em qualquer ocasião. E a frase que eles escolheram é a mesma que posso usar nesta ocasião: "Isto também é passageiro".

Muitas vezes somos tentados a voltar ao mundo, vivendo à sua maneira e desfrutando de suas ilusórias "vantagens". Assim desejavam os israelitas durante a peregrinação no deserto, quando estavam enjoados do maná. Aquilo que no princípio tinha para eles o sabor de mel (Êx 16.31), acabou lhes parecendo ter o intragável sabor de azeite fresco (Nm 11.8). Eles se lamentavam, dizendo: "Quem nos dará carne a comer? Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos. Mas agora a nossa alma se seca; cousa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos." (Nm 11.4-6.)

Quanto engano havia nesse lamento! No Egito eles não passavam de escravos, pois "os egípcios faziam servir os filhos de Israel com durezas; assim lhes fizeram amargar a vida com dura servidão, em barro e em tijolos, e com todo o trabalho no campo". (Êx 1.13,14.)

O mesmo ocorre conosco; logo nos esquecemos de que éramos escravos de Satanás e queremos voltar ao nosso estado anterior, achando que "comíamos de graça". Que triste engano! O mundo tem tanto a oferecer para o cristão como o Egito tinha para o povo de Israel. Nada havia para eles no Egito além de dura escravidão. Do mesmo modo como o povo de Israel foi liberto da escravidão, após uma noite de juízo que se abateu sobre o Egito e que poupou apenas os que pela fé aplicaram o sangue de um cordeiro imolado nas obreiras de suas portas, nós também fomos libertados pelo sangue de Cristo e escapamos do juízo que cairá sobre este mundo e sobre aqueles que rejeitarem o favor de Deus. Mas, assim como os israelitas, após termos sido salvos nos encontramos em um deserto, seco e árido, onde Deus nos sustenta com o "pão da vida" que desceu do Céu (Jesus) e com a água saída da Rocha. ("e a pedra era Cristo" 1 Co 10.4.)

Quão triste é para nosso Senhor, que sofreu tanto para nos salvar, ver os Seus redimidos desejosos de voltar ao seu estado anterior! O quanto vale para nós todo o Seu sacrifício? Nossos olhos sempre se ocupam com aquilo que nos parece de maior valor; e que valor tem para nós o sangue de Cristo derramado em nosso favor? Pilatos, ao apresentar o Senhor à multidão, perguntou: "Que farei então de Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado." (Mt 27.22.)

E você, o que fará de Jesus, seu Salvador? Judas O vendeu por trinta moedas de prata, o valor de um escravo. (Êx 21.32.) Quanto vale o Senhor para você? Haverá alguma coisa neste mundo, ou mesmo o mundo todo, cujo valor exceda o daquEle que deu Sua vida por você? Se você se afastou dEle, saiba que Ele não se afastou de você. Como o "filho pródigo" de Lucas 15.11, você já deve ter percebido que este mundo só pode lhe oferecer comida de porcos. Mas o Pai está esperando por você de braços abertos, desejoso de lhe dar o melhor: "o pão da vida". Volte agora mesmo. Confesse a Ele o seu pecado e, ainda que deseje culpar outros por seu afastamento, é com o Pai que você interrompeu sua comunhão e é com Ele que deve se reconciliar em primeiro lugar.

"...tomei-os pelos seus braços, mas não conheceram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento." (Os 11.3,4.)

Mario Persona

Todas as coisas - F. G. Patterson

O que será que quer dizer a passagem em Romanos 8.28, que diz que "todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto"? Acaso as acusações do inimigo, e do nosso próprio coração, contribuem juntamente para nosso bem? Não são coisas agradáveis de se levar, então de que maneira elas contribuem para o nosso bem?

A passagem supõe que já exista a consciência da perfeita liberdade de graça na qual, como crentes, nós nos encontramos:

- "Portanto agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" - "A lei do espírito da vida... livrou-me da lei do pecado e da morte"

- "Vós, porém, não estais na carne, mas no espírito"

- O Espírito habita em nós e "testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros..."

Todavia, ainda não estamos de posse da herança, exceto naquilo que se refere a sabermos que ela é nossa, e nos encontramos numa criação que geme, ainda sujeita aos efeitos do pecado do homem: estamos ligadas a ela por um corpo que ainda está sujeito à morte, enquanto aguardamos a adoção, isto é, a redenção de nosso corpo. Fomos redimidos; nosso corpo está habitado pelo Espírito, que nos liga com Cristo nos céus, mas no corpo estamos ligados a uma criação que geme.

Fomos salvos na esperança da glória vindoura e aprendemos em paciência a esperar por ela. Numa tal condição, não sabemos o que havemos de pedir como convém, mas o sentimento divino que é produzido em nós pelo Espírito, se expressa por um gemido inexprimível. Mas naquilo em que o Espírito entra, Deus, que perscruta os corações, encontra em nós a mente do Espírito "que segundo Deus intercede pelos santos". Numa condição assim, embora não saibamos o que havemos de pedir como convém, sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus.

A dúvida, se "as acusações do inimigo, e do nosso próprio coração, contribuem juntamente para nosso bem" não caberia aqui; embora Deus possa fazer (e sem dúvida Ele faz) com que elas sejam transformadas para contribuírem para nossa bênção, pois o inimigo foi calado para sempre no que se refere à nossa aceitação para com Deus. O próprio Deus provou a Si mesmo por nós, e nos justificou, de forma que o Espírito Santo pergunta no versículo 33: "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus?" Ninguém. "Quem os condenará?" Não poderia haver, e nem há efetivamente, acusação contra aqueles que estão em Cristo Jesus.

Quanto às acusações de nosso próprio coração, não temos nada que possa satisfazê-las. Se tivéssemos algo, seria um mau indício. Sabemos que não importa quão profunda seja a descoberta do mal que há em nosso coração, Cristo já o suportou todo, e o pôs de lado para sempre. Não fazemos um juízo suficientemente mau de nós mesmos. A partir do momento em que descobrimos que em nós "não habita bem algum" (Rm 7.18), e nos apossamos de um claro reconhecimento do que somos, que Cristo morreu por nós, e que Ele nos libertou completamente e para sempre, começando a não nos preocupar conosco - teremos chegado à conclusão que tudo o que nos dizia respeito já foi tratado.

O Espírito, que habita em nós, é entristecido com a mais tênue sombra de fracasso ou pecado e, portanto, não leva nossa alma a desfrutar (e nem poderia levar) da posição e da porção que temos. Ele faz com que nos voltemos para olhar o nosso próprio coração a fim de vermos o mal que há nele e tenhamos um exercício de julgar a nós mesmos a esse respeito; talvez seja isso que podemos confundir como "acusações do nosso próprio coração".

A passagem nos mostra, portanto, que em uma tal condição, Deus faz com que todas as coisas contribuam juntamente para o nosso bem (como um precioso consolo em meio às dificuldades e provações) - e desta maneira nosso coração é tranquilizado, na consciência de que os propósitos de Deus são cumpridos em Seu povo e a favor do Seu povo.

F. G. Patterson (Scripture Notes and Queries - 1871)

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